Um padrão também é uma decisão
Uma fraude de 300 reais num cartão virtual, lida com olhos de analista de risco. Quem não assume o risco não deveria deixá-lo como padrão para o cliente.
Hoje, por acaso, minha esposa sofreu uma fraude no cartão virtual do Nubank. Foram uns 300 reais em cinco transações para algum Uber Eats genérico, em menos de vinte minutos. Mesmo depois de bloqueado o cartão, seguimos recebendo notificações de tentativas de uso.
Me chamou atenção que a fraude ocorreu no cartão virtual, pela função débito, sem senha. Para nós foi um impacto pequeno: ruim, mas gerenciável. Mas me preocupou encontrar tantas reclamações parecidas, de transações online no débito sem senha em cartões virtuais.
Em que mundo é razoável deixar um cartão virtual disponível para movimentações no débito sem senha? Isso é uma feature ou um bug? É pedir muito um padrão de menor risco, em vez de habilitar todo cartão virtual novo como “débito e crédito sem senha”, sem a opção de desligar o débito?
Uma transação no débito não é tão simples de reverter quanto uma no crédito, especialmente em consumos difíceis de reconhecer como padrão, como apps de delivery.
Se a empresa não assume o risco de uma transação fraudulenta no débito, é contraintuitivo deixar esse risco como padrão para o cliente. Todo padrão é uma decisão de quem carrega o risco.